Desenvolvedor de software. Passo o dia construindo sistema que gente de verdade usa para trabalhar.
Doze anos escrevendo código, seis à frente de uma empresa de software. Não vim vender ferramenta: vim mostrar o que mudou no meu próprio trabalho.
“Bati o carro aqui na chuva na BR, meu filho tá chorando pra caramba no banco de trás e o motor tá vazando um óleo esquisito. O que eu faço?”
Doze avisos de sinistro esperando. Cada um com foto da avaria, boletim de ocorrência, CNH e documento do veículo — conferir se estão legíveis e se batem entre si.
Qual é a prioridade número 1?
Um exige julgamento.
O outro exige paciência.
Ela serve para os dois — de jeitos diferentes.
Não vou falar de tecnologia.
Vou falar de tempo.
Das horas do seu dia que somem em tarefa repetitiva. E vou falar de como fazer isso sem expor o dado do associado — que é o ponto onde a maioria erra.
Se você sair daqui com uma ideia de algo que a IA pode fazer no seu lugar, valeu a pena.
Todo mundo aqui já usou IA. Mas o que ela faz hoje não é o que ela fazia há dois anos.
A ferramenta que vocês conhecem é a de 2023 — por isso ficou a impressão de que serve só para escrever texto.
Se a IA já faz tudo isso lá fora, o quanto dela nós ainda não trouxemos para dentro?
É a mesma pergunta que praticamente todas as empresas do país estão fazendo agora — e chegar cedo nela é vantagem.
Conectar a IA aos documentos da própria empresa.
Sem isso, tudo o que vem depois desmonta — a IA não tem onde se apoiar para saber como esta empresa funciona. Ela sabe muito do mundo e nada de vocês.
Regulamento, contratos, tabelas, regras internas. É o que transforma uma IA genérica em uma que responde do jeito da casa.
É um degrau.
Não é o teto.
Mesma pergunta.
Duas respostas muito diferentes.
O que muda tecnicamente é só uma coisa: alguém conectou a IA ao sistema de cobrança e ao WhatsApp. O que muda na prática é que ela deixou de opinar e passou a executar.
“Reduza a inadimplência da carteira este mês.”
Um sinistro entra. Seis especialistas trabalham.
Isso não é protótipo de laboratório. Está rodando, e não custa milhões.
Três linhas escritas.
Quinze coisas feitas.
Uma foto entra. Uma análise preliminar sai.
Multiplique pelo tamanho da sua equipe. É esse o número que está em jogo.
Inovação sem segurança é vulnerabilidade.
Tudo que eu mostrei até agora só vale se o dado do associado continuar protegido. Este é o bloco que separa quem usa IA com responsabilidade de quem cria um problema para a associação.
Colar CPF, placa, endereço ou dado bancário
num chat aberto é vazamento.
Não é exagero de TI: é a LGPD. E contratar a versão paga ajuda, mas não é passe livre — o cuidado com o que você digita continua valendo em qualquer ferramenta.
“Analise o sinistro do José Carlos da Silva, CPF 123.456.789-00, placa ABC-1D23, morador da Rua das Acácias 45.”
“Analise o sinistro do [ASSOCIADO_A], plano intermediário, adesão há 2 anos, mensalidade em atraso há 23 dias, colisão traseira sem vítimas.”
A IA precisa do problema, não da pessoa.
Ela nunca precisou saber o nome do associado para conferir uma nota fiscal contra o regulamento. Troque identidade por rótulo, e mantenha o contexto que importa: gravidade, valores, cláusulas, prazos.
Negar ou aprovar sinistro sem revisão de uma pessoa
Qualquer coisa com dado de associado em ferramenta pública e gratuita
Decisão que precisa de um responsável com nome e assinatura
Ela erra com confiança, e nunca diz “não sei” por conta própria
Onde há dinheiro ou direito do associado em jogo, a IA prepara e o humano decide. Isso não é limitação temporária: é o desenho correto.
A IA assume a burocracia para que a pessoa foque no acolhimento.
A essência do mutualismo é estar presente na hora difícil. Ninguém entra numa associação por causa de sistema: entra porque confia que vai ter alguém do outro lado. A IA cuida do papel para que vocês cuidem da pessoa.
Se você consegue explicar a tarefa para alguém novo, você consegue delegar para uma IA. Você não precisa saber programar. Precisa saber explicar.
E faça isso sem nome, sem CPF, sem placa.
A IA não vai tomar o seu lugar. Quem vai é o colega que aprendeu a usar — com responsabilidade.
E vocês acabaram de sair na frente.